Abre o bocão

É isso que a minha dentista diz quando eu vou desanimando e involuntariamente começo a fechar a boca durante aquela tortura medieval que é fazer limpeza. Abro o bocão e cai aquela lagriminha nervosa do canto de olho.
Minha dentista e sua assistente são superamigas, quase irmãs gêmeas. E elas adoram conversar e conversam sobre tudo. Enquanto uma futuca meus dentes e a outra suga a baba, elas falam: sobre os filhos, maridos, dietas, receitas, qualquer coisa. Enquanto estou lá, fico sabendo das dificuldades dos filhos delas na faculdade (ano passado nessa mesma cadeira ouvi sobre os dramas do Enem), sobre o que elas jantaram no dia anterior e o que vão almoçar, sobre as especulações de quem é a mulher misteriosa que sempre visita o advogado da sala ao lado.
Essa conversa poderia ser calmante, mas o problema é que elas esperam que eu, de boca aberta na cadeira, participe também. A dentista enche minha boca de algodão, passa flúor nos meus dentes e enquanto espera, olha diretamente para mim e diz: E o seu primo, como está? Já se formou? Cortou aquele cabelo? Ele é tão bonito, mas eu não gostava daquele cabelo…
Ela me olha esperando uma resposta. Vou fazer o quê? Respondo com uns grunhidos ridículos que ela obviamente entende já que deve passar o dia ouvindo essa linguagem secreta das bolas de algodão.

Eu gosto de ver a parceria das duas, que trabalham em harmonia e dividem sua rotina, seus problemas, suas receitas de salpicão e talvez até alguns segredos. Quase perco o medo de sentar naquela cadeira e abrir o bocão.

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sábado chuvoso

Sábado chuvoso e todo mundo tem a mesma ideia. Comer!
A fila no italiano já estava grande. Eu tenho um bode enorme de fila em restaurante, mas até que não demorou. O carbonara estava divino, o restaurante cheio e os garçons ocupados. Crianças corriam entre as mesas e paravam para apreciar o fogareiro onde o chef, no meio do salão, preparava aquele macarrão dentro da peça de queijo que está na moda. Um menininho chegou tão perto que achei que fosse queimar as pestanas. Por estar lotado, os garçons tiveram alguns acidentes. Pratos e copos foram ao chão e a cada vez, todo mundo batia palmas. O casal do nosso lado esqueceu a bolsa de neoprene onde trouxeram o vinho. O moço nem disse obrigado ao receber a bolsa esquecida. O garçom comentou enquanto passava pano na mesa: esse pessoal esquece tudo, bolsa, chave, celular… até quando trazem a criança com o carrinho, às vezes saem com a criança e esquecem o carrinho.
Pior seria se levassem o carrinho e esquecessem a criança!

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Eu acredito no poder curativo dos poodles

Eu acredito no poder curativo dos poodles.
Poodle não é cachorro de madame.
Na verdade, tem que ter muita fibra moral para ter um poodle.
Eles já chegam mandando em tudo, trocando os móveis de lugar.
Estabelecem horários rígidos e disciplina militar.
Nada de falar alto demais, não gostam de fumantes e de rodas de samba no meio da sala.
Quem tem poodle anda na ponta dos pés.
Poodles moldam o caráter.
São tão elegantes que a gente se sente meio besta ao lado deles, mas são generosos. Todo mundo fica mais bonito desfilando na rua ao lado de um poodle.
Ele pode fazer você ficar mais alto ou se sentir flutuando no ar.
Não se pode rir de um poodle, eles levam tudo à sério. É preciso cuidado com as mudanças súbitas de humor.
Tem que ter energia para brincar, para passear, para aguentar as lambidas.
Poodles sabem mais palavras que muita gente e comunicam sua sabedoria ancestral só no olhar.
Poddles fazem bem para a pele, elevam a autoestima, previnem problemas cardíacos e sua mera presença é um bálsamo para a alma.
Em casos mais graves, recomenda-se 7 passeios por dia, 3 sessões de brincadeira e 4 horas de cafuné e carinho atrás das orelhas.
Um poodle não é um mero cachorro, é um caso à parte.

Eu acredito no poder curativo dos poodles, e vocês?

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uma experiência

Acabei de pagar a hospedagem desse domínio por 1 ano. Por isso, sinto-me na obrigação de vir aqui e fazer valer o investimento. Ando tão saturada de facebook, twitter e afins que ando preferindo a alternativa de falar sozinha um pouco, descomprimir minha mente dessa enxurrada de informações que se acumulam em forma de posts, fotos, stories, compartilhamentos, mensagens e notificações. Busco um alívio, um silêncio e nada melhor de conseguir isso aqui, nesse blog onde judas perdeu as botas e ninguém visita.

A verdade é que as pessoas andam MUITO chatas e me incluo no balaio. A dinâmica da interação nas redes anda me cansando. Tudo vira debate, tudo tem que ser cuidado, a linguagem precisa, a informação e as interpretações dela, impecáveis. Ninguém pode escorregar, nem ser leviano no que publica, logo aparece alguém para puxar sua orelhinha. Não estou falando de preconceitos, mas sim de qualquer coisa. Quem não gosta de mamão não pode declarar isso porque pode ferir os sentimentos dos que sofrem de prisão de ventre e precisam de mamão para liberar os intestinos e por aí vai.

O mundo está descendo a ladeira e não há nada que podemos fazer a não amenizar a queda. Não dá para ser superherói e resolver os problemas da humanidade. O formigueiro está pegando fogo e cada formiguinha está correndo para um lado. Essa formiguinha aqui pretende não enlouquecer e esperar as coisas se acalmarem. Enquanto isso, pretendo me concentrar no que gosto de fazer e no que preciso fazer, sem acrescentar muito mais às minhas costas. Estou atenta às notícias, mas não quero dar conta de todas as interpretações, opiniões e textões que elas geram. E não seria nada mal deixar passar uma notícia ou outra. Muito além do meu alcance. Alienada, conformada, isenta? Pode até ser, mas cada um sabe até onde pode ir. O noticiário é de vomitar, assustador. E nada pode ser feito, esse barco já partiu.

Vou ficar por aqui falando sozinha, e talvez quem sabe redescobrir quais são os meus assuntos e interesses. O que eu busco quando não recebo as atualizações de 500 pessoas que falam sem parar.

 

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a festa

Toca a campainha. É aquela amiga que você adora e vocês sentam no sofá para contar as novidades, como vai a vida, o trabalho, os amores, a família. Aquela conversa despretensiosa sobre séries e livros e essa sua amiga é tão interessante, você adora ouvi-la falar.
Daí a campainha toca de novo, vão chegando mais pessoas, algumas já se conhecem e começam a conversar também. Gente que você não vê faz tempo, muito assunto para por em dia. Todo mundo animado, se divertindo, dançando.
Mais gente chega: os amigos convidaram outros amigos, não tem problema, quanto mais melhor.
A festa está animada, as conversas giram em torno de viagens, sobre o sentido da vida, filosofias várias, quadrinhos, cinema, artes plásticas e é claro, astrologia.
Alguém conta uma piada engraçada. Um chato, que sempre tem um, faz uma piadinha machista e é ignorado.
A música toca, num telão várias fotos estão passando, as crianças, os cachorros e os gatos brincam no meio do salão.
Todo mundo quer falar com você, muitos te puxam num canto para uma conversa mais privada, mas você tem que atender quem acabou de chegar.
A comida é boa e variada, tem do mais delicioso podrão à culinária gourmet e quem é vegano, não pode com glúten ou está evitando açúcar também tem várias opções.
A campainha não para de tocar, melhor deixar a porta aberta. Entra quem quer, pode chegar.
Os grupos se formam, aqui uma discussão sobre religião, ali, spoiler de séries, um outro grupo se concentra em malhar alguém que está em outro grupo conversando sobre malhação.
A certa altura você olha em volta e não reconhece mais ninguém. Opa, detesto aquele cidadão, quem convidou? A barulheira é insuportável. Todo mundo está gritando, se fazendo ouvir acima das vozes dos outros. Quem são essas pessoas?
Ninguém mais conversa, as pessoas discutem. Você passa na hora que uma moça diz algo super inteligente que deixa outra sem palavras. As pessoas por perto aplaudem.
Você chega num pessoal e puxa assunto sobre o livro que leu na semana passada, mas ninguém quer falar disso e sim das últimas más notícias dos jornais. O clima fica pesado, um baixo-astral toma conta, começa a tocar uma música melancólica.
Mas de repente a gritaria aumenta, agora aqui e ali tem gente discutindo de verdade, com direito a ofensas, dedo na cara e eu sei o que vocês fizeram no verão passado.
Algumas pessoas se ofendem e vão embora, mas atraídas pela confusão outras chegam.
De repente uma correria, um monte de gente em volta de uma rodinha gritando mata, mata, mata! Esfola, esfola, esfola!
As cadeiras começam a voar, tem vidro quebrado por todo lado, alguém quebra uma garrafa na cabeça do outro, pessoas aplaudem, outras condenam. Começa a pancadaria generalizada.
A festa fugiu do controle. Aí você tranca a porta do banheiro e se desloga do Facebook para ter um pouco de paz novamente.

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pios

Tô lendo um livro e estou muito preocupada. A personagem louca amarrou o cachorro na porta do supermercado e ainda não voltou para buscar.Ela já foi e voltou, descobriu o segredo do marido, causou um acidente, fugiu da amiga chata, revelou o segredo da irmã e eu pensando no dog.

Eu sou aquela que compra por impulso no mercado livre. acabei de comprar um kit pompom. Terei tempo de fazer pompoms visto que ando cheia de serviço? A resposta é não. Ainda assim, kit pompom comprado.

Existem lugares que fazem parte da nossa alma. O subúrbio é esse lugar para mim. Respiro seus ares e volto renovada!

Comi a sobremesa antes do almoço hoje. Foi ótimo!

O oba-oba é muito fácil, difícil é o lesco-lesco. (Mãe, minha)

Sobrancelha natural volta à moda. Estou na moda e não sabia. Uma vez eu fui fazer a sobrancelha num desses lugares de depilação. Quando a moça se aproximou, senti o bafo de cebola. Além da dor, imagine o bafo pós-almoço acebolado na minha cara. Não preciso passar por isso. E nunca mais paguei para fazer sobrancelha! E agora tô na moda.

Um bode: gente que chama os próprios filhos ou os filhos dos outros de príncipe/princesa. Excesso de Disney na vida.

No WhatsApp vocês: A. escrevem uma msm inteira, com tudo bem e vamos direto ao assunto ou B. escrevem tudo bem? esperam resposta e enrolam? Eu já mando a mensagem inteira: tudo bem, xyz e beijos. Nada de tudo bem, tudo e vc?, td bem, então, fala, enrola…

Cada um com seus problemas e escolhas, mas essas gororobas que as pessoas estão comendo com ingredientes alternativos, por favor. Brigadeiro de inhame, crepioca de não sei o quê, pão low carb, farinha disso e daquilo, bolo sem ovo, sem farinha e sem leite. Isso é coisa de quem não sabe cozinhar. A nutri da minha mãe passa essas receitas, minha mãe só olha e estimula ela a falar mais. Manda fazer sopa com ingredientes que não ornam juntos, coxinha de batata doce e minha mãe só dando corda. Minha mãe é excelente na cozinha. Vc vê essas receitas e a cara das comidas, é muita vontade de ser magro, porque é tudo um horror. Mas como eu disse, cada um com seu cada um.

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