28/10/2007

Tão Ontem

No fim de semana li um livrinho fofo, chamado Tão Ontem (Scott Westerfeld). É publicado pela editora Record no selo Galera da Record, que pelo que entendi, é o segmento para livros infanto-juvenis da editora.

Vou te contar que eu sou leitora feliz desse segmento.

De vez em quando leio uns livros bobinhos e sendo leitora praticamente profissa de livros teen já sei reconhecer as roubadas e as deixo lá na livraria.

Este livro não é roubada, é um achado... a começar pela capa fofa, inspirada naquelas bonequinhas de papel que vão trocando de roupa...

E a história é bem interessante, sobre um garoto em NY que é um caçador de tendências, ou seja, busca pelas ruas as pessoas com atitudes inovadoras e percebe o potencial que essas atitudes tem de se tornarem moda.

O livro explica que moda, modismo, tendência, tudo isso faz parte de uma pirâmide: no topo são os inovadores, as pessoas que fazem tudo diferente, as pessoas que fazem uma coisa primeiro (um jeito de amarrar o tênis, uma forma de pensar...), os criadores de moda, que são os descolados que percebem o que pode ser moda, os primeiros compradores (que estão sempre na moda, com o celular, a calça e os tênis mais modernos), os consumidores (a grande maioria das pessoas), os clássicos (que tem estilo e não aderem a moda) e os retardatários (que não tem estilo e não estão nem ai para moda, tipo pessoas que usam mullets...)

Na verdade sempre existiu uma primeira pessoa que colocou um piercing no nariz, usou bermudão de surfista, fez alisamento japonês, reciclou o lixo, criou um blog... são os inovadores. Só depois é que tudo vira moda e deixa de ser moda também. O livro mostra como se dá esse processo, como uma coisa vira moda e nos faz perceber que no mundo de hoje, nenhuma moda surge espontaneamente.

Além de ter uma história amarradinha, mistura de aventura, romance e humor na dose certa, o livro traz um monte de curiosidades históricas do tipo, por que as pessoas usam gravata, qual era o primeiro uso da internet e a verdade sobre a lenda urbana do desenho japonês que causou convulsão em criancinhas.

Por trás da história está a discussão: as grandes corporações nos dizem como pensar e agir? Transformam o que é comportamento espontâneo em produto? Nesses tempos de consumismo exacerbado, discussões sobre consumo consciente e afins, vale a pena pensar nisso...

1 novas ideias:

Mônica disse...

bonequinhas de papel...ai, que saudade delas...