a festa

Toca a campainha. É aquela amiga que você adora e vocês sentam no sofá para contar as novidades, como vai a vida, o trabalho, os amores, a família. Aquela conversa despretensiosa sobre séries e livros e essa sua amiga é tão interessante, você adora ouvi-la falar.
Daí a campainha toca de novo, vão chegando mais pessoas, algumas já se conhecem e começam a conversar também. Gente que você não vê faz tempo, muito assunto para por em dia. Todo mundo animado, se divertindo, dançando.
Mais gente chega: os amigos convidaram outros amigos, não tem problema, quanto mais melhor.
A festa está animada, as conversas giram em torno de viagens, sobre o sentido da vida, filosofias várias, quadrinhos, cinema, artes plásticas e é claro, astrologia.
Alguém conta uma piada engraçada. Um chato, que sempre tem um, faz uma piadinha machista e é ignorado.
A música toca, num telão várias fotos estão passando, as crianças, os cachorros e os gatos brincam no meio do salão.
Todo mundo quer falar com você, muitos te puxam num canto para uma conversa mais privada, mas você tem que atender quem acabou de chegar.
A comida é boa e variada, tem do mais delicioso podrão à culinária gourmet e quem é vegano, não pode com glúten ou está evitando açúcar também tem várias opções.
A campainha não para de tocar, melhor deixar a porta aberta. Entra quem quer, pode chegar.
Os grupos se formam, aqui uma discussão sobre religião, ali, spoiler de séries, um outro grupo se concentra em malhar alguém que está em outro grupo conversando sobre malhação.
A certa altura você olha em volta e não reconhece mais ninguém. Opa, detesto aquele cidadão, quem convidou? A barulheira é insuportável. Todo mundo está gritando, se fazendo ouvir acima das vozes dos outros. Quem são essas pessoas?
Ninguém mais conversa, as pessoas discutem. Você passa na hora que uma moça diz algo super inteligente que deixa outra sem palavras. As pessoas por perto aplaudem.
Você chega num pessoal e puxa assunto sobre o livro que leu na semana passada, mas ninguém quer falar disso e sim das últimas más notícias dos jornais. O clima fica pesado, um baixo-astral toma conta, começa a tocar uma música melancólica.
Mas de repente a gritaria aumenta, agora aqui e ali tem gente discutindo de verdade, com direito a ofensas, dedo na cara e eu sei o que vocês fizeram no verão passado.
Algumas pessoas se ofendem e vão embora, mas atraídas pela confusão outras chegam.
De repente uma correria, um monte de gente em volta de uma rodinha gritando mata, mata, mata! Esfola, esfola, esfola!
As cadeiras começam a voar, tem vidro quebrado por todo lado, alguém quebra uma garrafa na cabeça do outro, pessoas aplaudem, outras condenam. Começa a pancadaria generalizada.
A festa fugiu do controle. Aí você tranca a porta do banheiro e se desloga do Facebook para ter um pouco de paz novamente.

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