dever de casa

Frida Kahlo – as frutas são só frutas – a coruja é… uma coruja

Eu já li muitos livros que não entendi. Principalmente quando era mais nova, lia muitos livros que achava que tinha que ler, clássicos principalmente, e não entendia uma linha. Nem lembro do que tratavam.
Já fui a muitas exposições em que as obras eram como imagens infinitas passando diante dos meus olhos sem que nenhuma se fixasse na minha retina.
Já cantei muitas músicas sem atentar ao que elas queriam dizer.
Já dormi no meio de muitos filmes.
Poesia, então… a maioria eu não alcancei.
Já li muitos livros que guardei só pra mim, nunca comentei com ninguém.
Tanta coisa que não me disse nada, não me inspirou nada, não me comoveu.
E tanta coisa me marcou de um jeito que fica difícil expressar.

Parece que agora é quase impossível consumir qualquer coisa sem fazer um comentário. De tudo a gente precisa extrair um sentido. É preciso fazer uma relação com outro livro/filme/série, entender as referências, descascar a cebola, camada por camada, extrair todos os significados.
Parece que o lazer virou pós-graduação, tem que estar com as séries em dia (ou o livro ou o filme do momento), ler uma pilha de textos de apoio e material suplementar, fazer pesquisa e escrever 30 linhas para segunda-feira.
Às vezes eu só quero ler um pouquinho antes de dormir ou ver uma série sem compromisso, só para descansar as ideias. Só isso.
Cansativo compreender tudo e viver de insight em insight.
Onze da noite, dia inteiro de trabalho e ainda tenho que pôr a cabeça para pensar para entender as referências ocultas na maratona do seriado? Ah, não.

Os livros que mais me marcaram o fizeram porque eu não estava buscando nada neles além de uma boa leitura. E muito do que me marcou, demorei anos para elaborar e transformar em algo que pode ser considerado meu.
Então eu vejo uma série e não quero analisar. Leio um livro e não quero resenhar.
Nem tudo tem que ter significado. Quando foi que o entretenimento virou dever de casa?

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