dias cinzentos

Não sei por quê acordei pensando na minha faculdade. Comunicação Social na UFRJ. 1995.

Na primeira aula tivemos que ler um texto (xerox) de um livro do FHC. Se eu soubesse o que sei hoje, encararia como um sinal.

Nos primeiros dias, todo mundo estava eufórico, animado em começar na faculdade e se sentindo o máximo por ter passado num dos cursos mais concorridos da UFRJ. Em pouco tempo a animação foi embora e o povo caiu na real. A maioria, vinda de colégios particulares, tomou um choque ao encarar as péssimas condições da Universidade (e do Brasil) no governo FHC. Nem papel higiênico tinha nos banheiros!

Teto da sala de aula caindo por causa de uma infestação de cupins. Professores se aposentando, professores se suicidando, zero chance de bolsas, estágios ou monitorias dentro da faculdade. Greves e mais greves.

Foram tempos confusos. Todo mundo disperso, tentando encontrar um caminho rumo ao futuro, depois que ficou claro que o futuro não seria entregue de bandeja ali no campus da Praia Vermelha da UFRJ só porque você passou no vestibular. Não demorou muito, rolou uma debandada geral: gente trocando de curso, outros arrumando estágios e empregos, mal frequentando as aulas, o curso inteiro meio empurrado com a barriga. O futuro era lá fora.

Tanta gente jovem, cheia de sonhos numa década cinzenta, em que não havia muita esperança, só incerteza. De minha parte, vi que tinha que sair daquele manicômio o mais rápido possível e foi o que fiz. O sol só começou a surgir em 1999 quando me formei, adotei o Ulisses e comecei a trabalhar.

Na verdade eu sei porque me lembrei de tudo isso. Acho que aqueles dias cinzentos estão de volta. O clima geral anda bem parecido.

abricós da Praia Vermelha
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