não compre, adote

É incrível que mesmo a gente repetindo: não compre, adote, mesmo com informações sobre o sofrimento das matrizes nesses canis da vida, mesmo com campanhas de adoção, a cultura de comprar cachorro ainda seja tão forte. Não percebia isso com tanta força quando morava em Santa Teresa, mas aqui na zona Sul, nos calçadões e pracinhas, dá para perceber até qual é o cachorro do momento e que os bichos são objetos de consumo mesmo. Quando me mudei pra cá, há quase 4 anos, parecia que tinha chegado um caminhão de whippets no mercado. Eram tantos magrelos desfilando e todos tinham uma característica em comum: os donos não deixavam os cachorros se aproximarem de outros cães. Esses donos pareciam pais de primeira viagem que não sabiam agir com seus cães e tinham medo dos outros cachorros. Triste é que hoje em dia não vejo mais nenhum passeando por aqui, fico imaginando onde foram parar. Deixaram se ser interessantes? Depois foi a vez do carregamento de buldogues. Tadinhos! Sempre resfolegando, balançando o corpinho roliço pra lá e pra cá, sempre sendo apertados, chamados de fofos, passando calor, com coleiras de marca e donos estilosos, posando para o instagram, sem saber muito bem onde estão, como e porquê. E a cada cruzamento, cada vez com mais problemas de saúde, cada vez mais frágeis, cada vez mais sofridos. Claro que sempre tem oferta e procura de labradores e pitbulls. E até outro dia vi um cara se gabando de seu cachorro exclusivo, um cruzamento de buldogue com pitbull. Ele chamou de “nova raça” todo orgulhoso. Arght. Hoje passeando no calçadão, descobri o cachorro que bombou no verão. A quantidade de Lulus da Pomerânia desfilando por aí é surreal. Qual será o cachorro do outono/inverno? Quando será que vamos deixar de ver os cães como objetos que precisam “combinar” com o estilo dos donos, quando vamos deixar de ter cachorros por status ou moda? Ainda bem que tenho duas vira-latas. Para mim elas vão ser sempre tendência.

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